segunda-feira, 8 de novembro de 2010
Mais deduções baseadas em paradigmas antiquados
terça-feira, 25 de maio de 2010
A relação entre dados e a análise – Problemas frequentes
Uma das principais funções de um cientista é retirar informações dos dados obtidos visando confirmar ou rejeitar sua hipótese, para isso utilizamos à estatística.
A estatística é uma ferramenta cada vez mais essencial na vida de um cientista, independente de sua área. Isso pode ser evidenciado na quantidade de novos testes que surgem a cada ano, assim como no numero de periódicos dedicados a métodos em diferentes áreas. Com tantas opções diferentes, existe muita discussão sobre quais testes devem ser usados e as vantagens de cada abordagem, no entanto, erros básicos são cometidos ao dar tanta importância para seleção do teste.
Qualquer estatístico que se preze, assim que recebe os dados, parte logo para uma análise exploratória buscando avaliar a qualidade dos dados e identificar possíveis problemas para a análise. Zuur e colaboradores recentemente publicaram um artigo discutindo exatamente a importância da análise exploratória de dados e propuseram um protocolo interessante para realizá-la.
Não importa o campo que você trabalhe, se precisar testar uma hipótese esse artigo vai ser útil. Realmente vale à pena conferir.
Abaixo segue o link para o artigo (aproveitem que está de graça):
http://www3.interscience.wiley.com/journal/122683826/abstract?CRETRY=1&SRETRY=0
Leonardo Gedraite
Referências: Zuur, A. F., Ieno, E. N., & Elphick, C. S. (2009). A protocol for data exploration to avoid common statistical problems. Methods in Ecology & Evolution, 1(1), 1-12. doi: 10.1111/j.2041-210X.2009.00001.x.
O modo Drosophila de resolver conflitos de interesse na reprodução
Quando se trata de reprodução, quase sempre estamos falando não de um processo harmonioso e cooperativo entre os sexos, mas sim de um conflito de interesses entre machos e fêmeas em que cada um tenta obter o máximo possível de ganhos com o menor custo. As fêmeas, o recurso limitante em termos de reprodução para várias espécies, em muitos casos são promíscuas, levando a uma competição entre os machos e também culminando na evolução de mecanismos para conter a promiscuidade das fêmeas e aumentar suas chances de passar seus genes para a frente.
Assim, um macho pode tentar estimular a parceira a receber mais espermatozoides seus do que de outros ou ainda tentar se livrar dos espermatozoides dos rivais. Em algumas espécies de libélula, o pênis tem um bulbo com longas cerdas que os machos usam para retirar os esperma do interior da fêmea antes de depositar o seu. Nos zangões, o órgão genital que é arrancado ao final da cópula e fica enterrado no corpo da fêmea funciona como uma espécie de tampão que impede ou retarda um novo evento de cópula.
Já havia sido constatado que nas Drosophilas, um organismo modelo para a Genética, as fêmeas ficam menos receptivas e aumentam sua produção de ovos durante pelo menos cinco dias após o acasalamento. De modo impressionante, quando o fluido seminal de machos era injetado em fêmeas virgens, elas exibiam as mesmas respostas, só que por um ou dois dias. Assim, a hipótese era a de que algo no fluido seminal do macho poderia modular a atividade neuronal que controla o comportamento após a cópula no sentido de impedir o acasalamento da fêmea com um segundo macho.
Tendo isso em mente, uma equipe de pesquisadores austríacos triou o genoma da mosca em busca de genes que atuassem sobre neurônios para controlar a colocação de ovos. Eles identificaram cerca de uma centena de genes e, entre eles, um receptor de peptideos chamado CG16752. Outras pesquisas identificaram um peptídeo com 36 resíduos de aminoácidos no fluido seminal dos machos de Drosophila, chamado de sex peptide (SP), como sendo o produto proteico responsável por causar alterações pós-acasalamento nas fêmeas.
Quando fêmeas cujo gene para o receptor do sex peptide era silenciado por meio de RNA interferente eram cruzadas com machos normais, elas colocavam poucos ovos, se acasalavam novamente com frequência e não rejeitavam ativamente o segundo macho, o mesmo comportamento exibido pelas fêmeas com o receptor funcional que eram acasaladas com machos cujo gene para SP havia sido silenciado.
Este mecanismo desenvolvido nos machos para reduzir as chances de um novo acasalamento é particularmente interessante devido ao seu uso potencial no controle de insetos, mas outras possibilidades vêm à mente... se conseguíssemos sintetizar um peptídeo como esse para homens e implantar neles receptores para este “peptídeo da fidelidade”...
Postado por Amanda Oliveira
Referências
Chapman, T; Bangham, J; Vinti, G; Seirfried, B; Lung, O; Wolfner, M.F; Smith, H.K; Partridge, L. The sex peptide of Drosophila melanogaster: Female post-mating responses analyzed by using RNA interference. PNAS, v.100, n.17, pp.9923-8, 2003.
Kubli, E. Sex-peptides: seminal peptides of the Drosophila male. Cell. Mol. Life Sci., v.60, p.1689–1704, 2003.
Yapici, N; Kim, Y; Ribeiro, C; Dickson, B.J. A receptor that mediates the post-mating switch in Drosophila reproductive behavior. Nature, V.451, 2008.
sexta-feira, 7 de maio de 2010
Uma breve introdução ao mundo da Genética
Seguindo o exemplo do Leo, vou me apresentar também. Sou bióloga, formada também pela Universidade Federal de Lavras e sempre tive múltiplos interesses dentro da Biologia. Durante a graduação, tentei ter contato com várias áreas para estabelecer o meu perfil profissional. Intimada, ou melhor, convidada (!) pelo idealizador do blog, tentarei trazer à discussão assuntos interessantes abrangendo Genética, um pouquinho de Biologia Molecular e, como não poderia deixar de ser, Evolução.
Bem como a Ecologia, a Genética e principalmente a Biologia Molecular são ciências novas. O início formal da Genética se deu com os trabalhos de Gregor Mendel e suas ervilhas, em meados do século XIX. Mendel fez alguns experimentos com plantas de jardim e com abelhas, mas o sucesso de seu trabalho sobre a herança das características dos organismos teve muito a ver com a escolha das ervilhas como material experimental.
Das leis de Mendel até a Genética Molecular, muito em voga hoje em dia, muita água correu e muitos outros postulados foram somados ao corpo teórico da Genética. O DNA foi descoberto e a ele foram atribuídas as funções de armazenador da informação genética e responsável pela transmissão das características hereditárias. Mostrou-se que diversos tipos de RNA estão envolvidos com tradução de proteínas e controle da expressão gênica. Cromossomos, hereditariedade, DNA, RNA, organismos transgênicos, mutações e, é claro, "genes", são palavras que estão constantemente na cabeça de um geneticista.
A Genética é abordada em diferentes níveis no dia-a-dia da pesquisa. Por exemplo, o estudo de genes seguindo a herança de características em cruzamentos é chamado “Genética Clássica”; o estudo dos genes pelo sequenciamento do DNA e pelo estudo da expressão gênica é chamado “Genética Molecular”; o estudo dos genes pela variabilidade entre organismos é chamado “Genética de Populações”.
Fenômenos como a clonagem de organismos, a produção de transgênicos, o mapeamento de genomas e a possibilidade da realização de testes genéticos para doenças herdáveis em embriões e pré-embriões colocaram e têm colocado a Genética em foco. Perguntas como “isto é certo?”, “isto é seguro?”, “todos os aspectos da vida estão sob determinação genética?” e “isto pode causar discriminação no futuro?” são recorrentes.

Bem, este é um convite para entrarmos no mundo da Genética e explorarmos suas possibilidades, discutindo tanto os aspectos difundidos e bem conhecidos do DNA & Cia como os mecanismos e fenômenos que ainda estão sendo elucidados e, claro, as exceções à regra que permeiam os meandros da Genética!
Postado por Amanda Oliveira
quinta-feira, 6 de maio de 2010
Ecologia de Comunidades - Preview
1- Confusão entre Ecologia e Ambientalismo: Ecologia é uma ciência e possui características teóricas e questionamentos próprios, dentre as quais não está salvar o planeta, mico-leão dourado, ultimo Dodô ou outra espécie bandeira. Sinto informar, mas não usar sacolas plásticas não tem nada a ver com ecologia.

Vemos esse preconceito até mesmo em estudantes de graduação, que acham ecologia uma matéria fácil comparada a outras como bioquímica ou genética.
Com essa situação a ecologia tem sofrido um grave problema: Pessoas que não tem base nenhuma sobre o assunto aparecem disparando opiniões sem pé nem cabeça por aí. Não me entenda mal, a ecologia não é uma matéria difícil e extrema, porem como toda a ciência ela tem um corpo teórico que deve ser estudado e compreendido para analisar os problemas de interesse.
3- Ecologia é uma ciência nova: A ecologia é uma ciência recente que lida com assuntos que são e já foram abordados em outras áreas (como zoologia, geologia, botânica) com isso ela acaba se misturando com outras ciências e não tendo uma cara própria. Afinal vai explicar para alguém que você trabalha com modelos de biogeografia de plantas em ilhas, mas você não está interessado nas plantas “em si”.
Alem disso existe um jargão (conjunto de termos técnicos) usado na ecologia que é confuso, pois é a junção de diversos jargões de outras áreas sendo que muitos termos foram e são aplicados para definir mais de um conceito. O próprio conceito de ecologia de comunidades reflete isso, como veremos em breve.
Em breve continuarei a discussão com a definição de ecologia de comunidades e alguns problemas que merecem ser discutidos. No meio tempo alguns aspectos pedem uma reflexão: Existe um conceito para ecologia? Porque existe essa barreira entre o mundo científico e a população geral? Como conceitos simples se transformam em coisas completamente diferentes ao serem disseminados?
Introdução parte III - O início
Olá a todos
Esse pequeno espaço virtual surgiu da junção de uma idéia maluca e uma necessidade profissional: Como cientistas, precisamos dominar diversos tipos de técnicas como: planejar experimentos, analisar dados, escrever e divulgar nossos resultados, no entanto nossa formação geralmente é falha em alguns aspectos, principalmente na hora que temos que escrever e divulgar os resultados. No entanto escrever e a maneira de se expressar são essenciais para uma boa divulgação dos resultados (e conseguir citações ^^).
Atualmente faço mestrado no curso de pós-graduação